Comissão Europeia vai criar novos supercomputadores

12/01/2018

A Comissão Europeia apresentou ontem os seus planos para investir, em conjunto com os Estados Membros, na construção de uma infraestrutura europeia de supercomputadores de craveira mundial, que reforce a segurança dos dados.

O tratamento de quantidades cada vez maiores de dados requer supercomputadores, que são valiosos para a sociedade em muitos domínios, desde os cuidados de saúde e as energias renováveis à segurança dos veículos e à cibersegurança.

Os planos ontem apresentados são cruciais para a competitividade e a independência da União Europeia (UE) na economia dos dados.

Cada vez mais, a indústria e os cientistas europeus tratam os seus dados fora da UE, porque a capacidade de computação disponível na União não é suficiente para satisfazer as suas necessidades de cálculo.

Esta falta de independência compromete a privacidade, a proteção dos dados, os segredos comerciais e a propriedade dos dados, em particular os das aplicações sensíveis.

A nova estrutura jurídica e de financiamento – a EuroHPC, Empresa Comum – vai adquirir, desenvolver e implantar em toda a Europa uma infraestrutura de computação de alto desempenho (HPC) e de craveira mundial.

Além disso, apoiará um programa de investigação e inovação para o desenvolvimento de tecnologias e máquinas (equipamento informático), bem como de aplicações (suporte lógico) que possam funcionar nesses supercomputadores.

A contribuição da UE para a EuroHPC será de cerca de 486 milhões de EUR no âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual, a que acrescerão as contribuições dos Estados-Membros e de países associados, de montante total semelhante.

Globalmente, até 2020, o investimento público ascenderá a cerca de mil milhões de EUR, a que se juntarão contribuições em espécie das entidades privadas participantes na iniciativa.

Andrus Ansip, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Mercado Único Digital, afirmou: «Os supercomputadores são o motor da economia digital. Nesta dura competição, a UE está a ficar para trás: nenhum dos nossos supercomputadores figura na lista dos 10 melhores do mundo. Com a iniciativa EuroHPC, queremos dar aos investigadores e às empresas, até 2020, uma capacidade de computação de vanguarda mundial, para que possam desenvolver tecnologias, como inteligência artificial, e conceber as aplicações quotidianas do futuro em áreas como a saúde, a segurança ou a engenharia.»

Carlos Moedas, comissário responsável pela investigação, ciência e inovação, adicionou: «Este é provavelmente um dos grandes exemplos que temos de valor acrescentado europeu. Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa sozinha conseguiria fazer o que estamos a fazer aqui, hoje. Os supercomputadores vão revolucionar a aprendizagem automática, o dito 'machine learning', e essa aprendizagem vai revolucionar a própria ciência. E acredito que esta iniciativa pode multiplicar os efeitos e resultados de um programa fantástico como o Horizonte 2020.»


INFRAESTRUTURA ADEQUADA À INVESTIGAÇÃO E À INOVAÇÃO

A iniciativa ontem apresentada reunirá investimentos para a criação de supercomputadores e infraestruturas de megadados europeus.

A empresa comum EuroHPC tenciona adquirir sistemas com desempenhos pré-exaescala (100 mil biliões – ou 1017 – de operações por segundo) e apoiar o desenvolvimento de sistemas de desempenho à exaescala (1018 ou um trilião de operações por segundo), baseados em tecnologias da UE, até 2022-2023.

As atividades da empresa comum consistirão no seguinte:

  • Aquisição e utilização de duas máquinas de supercomputação a pré-exaescala de craveira mundial e de, pelo menos, duas máquinas de supercomputação intermédias (capazes de efetuar cerca de 1016 operações por segundo); concessão e gestão do acesso de um largo espectro de utilizadores públicos e privados a estes supercomputadores a partir de 2020.

  • Programa de Investigação e Inovação em HPC: Apoio ao desenvolvimento de tecnologias europeias de supercomputação, incluindo a primeira geração europeia de tecnologia de microprocessadores de baixo consumo energético, bem como à conceção colaborativa de máquinas à exaescala europeias; fomento de aplicações, do desenvolvimento de competências e de uma utilização mais ampla da HPC.

A empresa conjunta EuroHPC estará ativa de 2019 a 2026. A infraestrutura prevista será propriedade conjunta dos seus membros – numa primeira fase, os países signatários da Declaração EuroHPC e os membros privados das universidades e da indústria – e por estes gerida. A esta iniciativa poderão aderir, em qualquer momento, outros membros, mediante contribuição financeira.


Para mais informações:

| PERGUNTAS e RESPOSTAS

| FICHA com exemplos da utilização da HPC e outros documentos relevantes

 

 

 

Fonte: Representação CE Portugal