Plano de adaptação às alterações climáticas para o Algarve com apoio PO SEUR

28/11/2017

Um consórcio liderado por investigadores vai, até ao final de 2018, elaborar um plano de adaptação às alterações climáticas para o Algarve, uma iniciativa que arrancou, em Faro, com a primeira reunião geral, na AMAL - Comunidade Intermunicipal do Algarve.

A iniciativa envolve um investimento superior a 470 mil euros, verba financiada em 85% pelo Fundo de Coesão, através do PO SEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos, e em 15% pelos municípios algarvios.

O plano visa projetar para a região algarvia um conjunto de medidas de adaptação que, a longo prazo, contribuam para minimizar os impactos das alterações climáticas em vários setores, desde o turismo, à saúde, agricultura, biodiversidade e recursos hídricos, explicou o coordenador do plano, Filipe Duarte Santos.

"É bom que as pessoas se consciencializem de que o clima está a mudar e a tendência é o clima do norte de África mover-se mais para norte, para Portugal e outros países do sul europeu", alertou o especialista em alterações climáticas que vai coordenar a elaboração de um plano com medidas concretas para o Algarve.

Segundo o investigador, um dos problemas das alterações climáticas é a ocorrência de fenómenos extremos, mais frequentes e mais intensos, que aumentam, por exemplo, tanto o risco de haver cheias, como de períodos de seca, afetando as florestas, a agricultura e as zonas urbanas.

Outro dos trabalhos passará por identificar qual o impacto das alterações climáticas na saúde humana, no Algarve, nomeadamente no que respeita a doenças transmitidas, por exemplo, por mosquitos, que tendem a aumentar quando o clima muda e podem constituir um perigo para a saúde.

As zonas costeiras também estão em foco neste plano, já que a tendência é para que, até ao final do século, se registe uma subida superior a meio metro do nível da água do mar, o que no Algarve é mais preocupante na zona leste, entre a Ria Formosa e a fronteira com Espanha, exemplificou.

Por outro lado, o aumento da temperatura da água está a favorecer o aparecimento de novas espécies de peixes, o que pode constituir uma oportunidade e não uma ameaça, defendeu aquele especialista, acrescentando que o turismo também pode beneficiar da mudança de clima, permitindo concentrar a época turística noutras estações do ano e não apenas no verão.

O Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas junta responsáveis universitários, autarcas e técnicos de instituições públicas, que vão reunir conhecimentos e elaborar propostas até ao final de 2018.

 

Fonte: Lusa/DN