Projeto português leva banda larga de baixo custo a navios em alto mar

05/11/2018

Nos últimos dois anos e meio o projeto MareCom trabalhou numa solução alternativa às comunicações via satélite e às tecnologias VHF, usadas por quem está em alto mar. O projeto está concluído e já foi testado com sucesso, na Base Naval de Lisboa pela Marinha Portuguesa, e já tem interessados.

O projeto representa um investimento total de um milhão de euros, sendo que 650 mil euros foram financiados pelos Programas Operacionais COMPETE 2020 e pelo Lisboa 2020.

O MareCom foi liderado pela Wavecom e contou com a participação do INESC TEC - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, do CINAV - Centro de Investigação Naval, da Marinha Portuguesa e da Ubiwhere.

O objetivo era desenvolver uma solução fiável e com custos mais acessíveis que as usadas pela Marinha, as frotas de pesca, os transportes marítimos e outras comunidades com atividades em alto mar, que hoje usam essencialmente tecnologias celulares que só funciona perto da costa ou de satélite, caras e de elevada latência.

“A solução tecnológica que desenvolvemos consiste numa caixa de comunicações que pode ser instalada em embarcações e estações de comunicações costeiras, juntamente com as antenas adequadas”, explica Rui Campos, coordenador da área de redes sem fios do Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC.

“Na demonstração final do protótipo da solução na Base Naval de Lisboa foram atingidos débitos binários superiores a 10 Mbit/s, muito acima dos valores típicos das comunicações via satélite e sem a latência elevada associada”.

A solução desenvolvida no âmbito do MareCom poderá funcionar a “dezenas de milhas da costa, quando usados níveis de potência de transmissão adequados e locais apropriados para a instalação das estações de comunicações costeiras”, garantem os promotores do projeto.

A mesma fonte indica que, além do interesse da Marinha Portuguesa na solução, que vê na tecnologia um meio para assegurar comunicações de banda larga em zonas costeiras e na vizinhança dos portos do Continente e Ilhas, existem conversações com outras entidades interessadas na Índia e em Cabo Verde.

Os contactos estendem-se a vários institutos de investigação, interessados em usar a tecnologia portuguesa como suporte a novos projetos.

 

 

Fonte: Ntech