Universidade do Minho lidera projeto europeu de conservação do Património

22/11/2016

A UMinho - Universidade do Minho, vai criar uma estratégia para a conservação preventiva do Património Histórico e Cultural no Sudoeste Europeu, com o projeto HeritageCARE.

O projeto HeritageCARE tem oito parceiros e conta nos próximos três anos com 1.68 milhões de euros provenientes do Programa de Cooperação Transnacional Interreg-SUDOE, sendo 1.28 milhões de euros do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

A meta, segundo a Reitoria "é haver um sistema de monitorização integrada e sustentável do património, criando-se uma entidade sem fins lucrativos que fará inspeções periódicas a edifícios, difundirá boas práticas de conservação a proprietários e cidadãos e aconselhará órgãos governamentais".

O projeto aplica a máxima "mais vale prevenir do que remediar" ao património. É liderado pela UMinho, através do ISISE - Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia e do IB-S - Instituto para a Bio Sustentabilidade, incluindo ainda a Direção Regional de Cultura do Norte e o Centro de Computação Gráfica.

De Espanha participam a Universidade de Salamanca, o Instituto Andaluz do Património Histórico, a Fundação Santa Maria Real do Património Histórico e, de França, as universidades Blaise Pascal e de Limoges.

A equipa teve há dias a primeira reunião em Guimarães. "Vamos partilhar o conhecimento e a experiência em rede, contribuindo para definir diretrizes comuns de boas práticas para a inspeção sistemática, diagnóstico, conservação e manutenção do património cultural construído", explica o professor coordenador Luís Ramos, do Departamento de Engenharia Civil da Escola de Engenharia da UMinho.

A metodologia vai ser implementada e validada através de 60 casos de estudo (edifícios classificados e não classificados) distribuídos pelos três países parceiros. O objetivo final é estabelecer uma entidade amiga dos proprietários que supervisione o cumprimento da metodologia e garanta a sustentabilidade dos resultados no futuro.

 

Salvaguardar o Património Histórico

O investigador não tem dúvidas de que o HeritageCARE é merecedor do apoio da UE, ao contribuir para a cooperação e o desenvolvimento regional no sul da Europa. "Os problemas da conservação preventiva em Portugal são similares aos da Espanha e França. Ao definirmos uma metodologia científica e criarmos um sistema de gestão amigável, vamos poder aplicá-la nos três países", justifica.

"Por outro lado, com as verbas equivalentes de um único restauro de uma grande igreja, vamos criar um sistema de monitorização e conservação preventiva que salvaguardará centenas de construções históricas com valor cultural, poupando muito dinheiro aos proprietários", reforça.

O impacto do projeto pretende ser exportável para outras geografias, como a Itália, que lidera a lista de lugares Património Mundial da UNESCO.

O HeritageCARE envolve também 11 parceiros no terreno: a Associação Portuguesa das Casas Antigas, o Grémio do Património, a Arquidiocese de Braga, a Associação Hispania Nostra, a Associação Espanhola de Gestores do Património Cultural, a Adeco Camino, a Direção Regional da Cultura de Auvergne Rhône-Alpes, a Escola Superior de Arquitetura de Clermont-Ferrand e os gabinetes de arquitetura Pantheon, Louis Gineste e Pascal Parmantier.

 

 



 

Fonte: Correio do Minho/Amarense/SUDOE