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14/06/2021

‘Sea4US’ procura no mar algarvio a solução para a dor crónica

Esponjas do mar, anémonas, alforrecas e algas. É entre invertebrados e plantas marinhas que um grupo de cientistas tenta há mais de uma década descobrir, a partir de Sagres, novos caminhos para acabar com a dor crónica e outras doenças.

 

Com três patentes já registadas, a Sea4US, uma empresa de biotecnologia especializada na pesquisa de produtos farmacêuticos, sonha fazer história a partir do Porto da Baleeira.

 

Com menos de uma década de atividade, a Sea4US tem sabido navegar entre os mecanismos de apoio comunitários. Se para trás foram vários os projetos apoiados, no âmbito do Programa Operacional CRESC Algarve 2020 há mais quatro iniciativas financiadas em quase 325 mil euros.

 

Da Baleeira parte a pequena embarcação da Sea4US e Pedro Lima, o homem que há anos está de olho naquelas águas, faz as viagens acompanhado de mergulhadores-cientistas, como ele.

 

Estudos sobre as espécies predominantes na Costa Vicentina permitiram aos investigadores perceber que literalmente nadavam num ecossistema de grande interesse para a área da medicina.

 

O FIM DA DOR CRÓNICA PODE VIR DO MAR

 

A equipa da Sea4US, maioritariamente da área das neurociências abriu, em 2013 em Vila do Bispo, a sede da empresa. Propuseram-se descobrir nas toxinas de invertebrados que proliferam naquelas águas, componentes que permitam o desenvolvimento de analgésicos que não provoquem dependência.

 

Em poucos anos, a Sea4US construiu uma biblioteca com centenas de substâncias e compostos para estudar “extratos e coisas mais puras onde encontrámos bioatividade. O potencial está lá”, explica Pedro Lima, o CEO da empresa que, em 2017, se focou na identificação de duas moléculas que poderão ser a chave para acabar com a dor crónica.

 

A robustez das pesquisas permitiu submeter, em 2019, as patentes de três descobertas relativas a uma das moléculas e do seu mecanismo de ação.”Temos outros produtos desenvolvidos, ligados a patologias como a dor induzida pela quimioterapia, relevante para o cancro da mama, por exemplo. O agente usado no tratamento é um salva vidas, mas a maioria das pessoas fica com uma dor permanente. Encontrámos algo que poderá ser a solução para esse problema.”

 

Parte destes avanços acontecem em laboratórios da Faculdade de Medicina, em Lisboa, onde a sea4us desenvolve algumas das pesquisas. No entanto, tudo começa no pequeno espaço no Porto da Baleeira, em Sagres. “É lá que fazemos a identificação das espécies que trazemos do mar e que congelamos as amostras“. A ampliação desse espaço é essencial: “a nossa obsessão é termos ali um centro de investigação onde possamos fazer quase tudo. Se calhar o nosso papel é termos, outra vez, em Sagres, uma lança”.

 

Apesar de, tal como em qualquer negócio, também aqui o fator segredo ser determinante, a filosofia da empresa passa pela partilha do conhecimento como estratégia. Por isso, acolhem pontualmente investigadores de várias universidades, em especial da Universidade do Algarve. “Temos todo o interesse em colaborar porque do conhecimento partilhado vem a inovação”, explica.

 

Se os analgésicos para a dor crónica são o centro da pesquisa da Sea4US, a empresa avança, no entanto, noutras frentes. “Através da pesquisa em microalgas, procuramos respostas para infeções resistentes – infeções bacteriológicas e fúngicas, que criam resistência aos antibióticos. Entre o trabalho que temos desenvolvido há também passos que poderão ter muita relevância na resposta a doenças como as artrites e autoimunes”, acrescenta Pedro Lima.

 

 

Fonte: Algarve2020/Sea4US

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